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segunda-feira, 30 de abril de 2018

Metamorfoses de Calisto Elói em "A Queda dum Anjo"

Ao longo da obra A Queda dum Anjo, de Camilo Castelo Branco, são-nos apresentados inúmeros aspetos exteriores da mudança de Calisto Elói, reações relativas a essa mesma mudança sendo também evidente uma autoanálise, pela expressão de sentimentos, do morgado de Agra face à transformação do seu modo de viver e sentir.

Desde logo, é visível uma transfiguração das roupas do morgado, em concreto no vestuário que passou a apresentar, isto é, calças à moda da sua época (“[…] calças xadrez cinzento […]”, l. 136) e “botões de coralinas falsas” (l. 137). Note-se que chegou a «colher informações» dos alfaiates mais famosos, a fim de mudar. Posteriormente, as damas e as pessoas que com ele privavam começaram a examinar com espanto as transfigurações das vestes, dos modos e da linguagem do morgado (“A Câmara afogou o riso […]”, l. 155) e a sua indumentária.

No que toca à sua alma, esta vai-se adaptando à proporção da sua “fatiota”, demonstrando alterações na personalidade, subjugando o seu modo «meio grosso», outrora incompatível com a atitude de um galã. Também na assembleia, Calisto fez sensação com, por exemplo, o charuto que fumava, deixando fumaças no ar, ainda que com gestos que poderiam provocar «algum riso». Manifestamente, estas maneiras contrastavam com a personalidade e os ideais do protagonista, inconciliáveis com o modelo do português citadino dos novos tempos.

No que concerne à autoanálise e sentimentos do morgado de Agra face à transformação do seu modo de viver e sentir, Calisto Elói sente-se, de certo modo, castigado pela própria consciência. O deputado defende-se, interiormente, das suas mudanças exteriores, alegando que estas não influem nas suas faculdades pensantes, uma vez que a prudência lhe exigia viver em Lisboa consoante os usos da cidade, deixando de parte os hábitos e génios aldeãos.

Em suma, neste capitulo (XIV - “Tentação! Amor! Poesia!”) o personagem principal sofre uma grande alteração no seu carácter, fruto da descoberta de um novo amor, acabando por afetá-lo também no seu aspeto exterior, enquadrando-se, absolutamente, nos costumes de Lisboa, que iam atuando sobre o ânimo do deputado.

 
Autores: Domingos Lopes Gallego e Sofia P. Faustino.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

A figura feminina na poesia de Cesário Verde


(Leitura comparada dos poemas “A débil” e “Deslumbramentos”. )


Em ambos os poemas estamos perante uma vincada presença feminina, de características diametralmente opostas, que causa determinados efeitos no sujeito poético.

No poema “A débil” assistimos à descrição de uma figura feminina natural e simples, ligada ao campo e ao povo. Esta mulher é “bela, frágil, assustada” (v. 2), associando-se à naturalidade rural e a todos os seus aspectos positivos, não se enquadrando no ambiente citadino por ser honesta e pura (“Numa existência honesta, de cristal.”, v. 4). Atente-se, ainda, na sua simplicidade e elegância (“Esse vestido simples, sem enfeites,”, v. 19, “(…) e sem ostentação /Atravessavas branca, esbelta e fina”, vv. 37 e 38). 

Simultaneamente, o “eu” feminino exerce um efeito positivo no sujeito poético, já que a sua presença impele-o a largar os malefícios urbanos (Mandei ir a garrafa, porque sinto/ Que me tornas prestante, bom, saudável”, vv. 11 e 12). Esta mulher revela uma faceta protectora no “eu” poético, que sente um dever de auxílio perante esta figura “fraca e loura” (v. 6). 

 Já na composição poética “Deslumbramentos”, estamos perante a mulher fatal e sedutora, ligada à cidade. Assume uma postura altiva e fria (“E enfim prossiga altiva como a Fama,/ Sem sorrisos, dramática, cortante;” vv. 29 e 30). Esta figura representa a artificialidade da mundividência citadina, evocando as desigualdades sociais aí presentes (“Quando passa aromática e normal,/ Com seu tipo tão nobre e tão de sala,/ Com seus gestos de neve e de metal.” vv. 2-4). Por fim, evidencia uma postura elegante e luxuosa, típica do seu estatuto social elevado (“Ir impondo toilettes complicadas!”, v. 8). 

Ao longo deste poema, o sujeito poético, apesar de se sentir atraído pelo “eu” feminino, deseja vingar-se, já que ela é o reflexo das desigualdades sociais presentes no ambiente citadino, (“Mas cuidado, milady, não se afoite,/ Que hão de acabar os bárbaros reais;” vv. 33 e 34). 

 Concluindo, em ambos os poemas encontramos mulheres típicas do campo e da cidade, registando-se um binómio que se caracteriza por retratos diametralmente opostos.



A Débil

Eu, que sou feio, sólido, leal,
A ti, que és bela, frágil, assustada,
Quero estimar-te sempre, recatada
Numa existência honesta, de cristal.

Sentado à mesa dum café devasso,
Ao avistar-te, há pouco, fraca e loura,
Nesta Babel tão velha e corruptora,
Tive tenções de oferecer-te o braço.

E, quando socorreste um miserável,
Eu, que bebia cálices de absinto,
Mandei ir a garrafa, porque sinto
Que me tornas prestante, bom, saudável.

"Ela aí vem!" disse eu para os demais;
E pus-me a olhar, vexado e suspirando,
O teu corpo que pulsa, alegre e brando,
Na frescura dos linhos matinais.

Via-te pela porta envidraçada;
E invejava, — talvez que não o suspeites! -
Esse vestido simples, sem enfeites,
Nessa cintura tenra, imaculada.

Ia passando, a quatro, o patriarca.
Triste eu saí. Doía-me a cabeça.
Uma turba ruidosa, negra, espessa,
Voltava das exéquias dum monarca.

Adorável! Tu, muito natural,
Seguias a pensar no teu bordado;
Avultava, num largo arborizado,
Uma estátua de rei num pedestal.

Sorriam, nos seus trens, os titulares;
E ao claro sol, guardava-te, no entanto,
A tua boa mãe, que te ama tanto,
Que não te morrerá sem te casares!

Soberbo dia! Impunha-me respeito
A limpidez do teu semblante grego;
E uma família, um ninho de sossego,
Desejava beijar sobre o teu peito.

Com elegância e sem ostentação,
Atravessavas branca, esbelta e fina,
Uma chusma de padres de batina,
E de altos funcionários da nação.

"Mas se a atropela o povo turbulento!
Se fosse, por acaso, ali pisada!"
De repente, paraste embaraçada
Ao pé dum numeroso ajuntamento.

E eu, que urdia estes fáceis esbocetos,
Julguei ver, com a vista de poeta,
Uma pombinha tímida e quieta
Num bando ameaçador de corvos pretos.

E foi, então, que eu, homem varonil,
Quis dedicar-te a minha pobre vida,
A ti, que és tênue, dócil, recolhida,
Eu, que sou hábil, prático, viril.


Deslumbramentos


Milady, é perigoso contemplá-la,
Quando passa aromática e normal,
Com seu tipo tão nobre e tão de sala,
Com seus gestos de neve e de metal.

Sem que nisso a desgoste ou desenfade,
Quantas vezes, seguindo-lhe as passadas,
Eu vejo-a, com real solenidade,
Ir impondo toilettes complicadas!...

Em si tudo me atrai como um tesouro:
O seu ar pensativo e senhoril,
A sua voz que tem um timbre de ouro
E o seu nevado e lúcido perfil!

Ah! Como me estonteia e me fascina...
E é, na graça distinta do seu porte,
Como a Moda supérflua e feminina,
E tão alta e serena como a Morte!...

Eu ontem encontrei-a, quando vinha,
Britânica, e fazendo-me assombrar;
Grande dama fatal, sempre sozinha,
E com firmeza e música no andar!

O seu olhar possui, num jogo ardente,
Um arcanjo e um demônio a iluminá-lo;
Como um florete, fere agudamente,
E afaga como o pêlo dum regalo!

Pois bem. Conserve o gelo por esposo,
E mostre, se eu beijar-lhe as brancas mãos,
O modo diplomático e orgulhoso
Que Ana de Áustria mostrava aos cortesãos.

E enfim prossiga altiva como a Fama,
Sem sorrisos, dramática, cortante;
Que eu procuro fundir na minha chama
Seu ermo coração, como um brilhante.

Mas cuidado, milady, não se afoite,
Que hão de acabar os bárbaros reais;
E os povos humilhados, pela noite,
Para a vingança aguçam os punhais.

E um dia, ó flor do Luxo, nas estradas,
Sob o cetim do Azul e as andorinhas,
Eu hei-de ver errar, alucinadas,
E arrastando farrapos - as rainhas!



Cesário Verde, in O Livro de Cesário Verde






sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Antero de Quental, Sonetos

        Nos poemas “A um poeta” e “A ideia IV”, de Antero de Quental, é possível distinguirmos certas linhas temáticas fundamentais que constituem a sua produção mais significativa.
        No poema A, apela-se aos que vivem em passividade, incitando-os a sonhar e a mudar o futuro; na verdade, acaba por haver uma solicitação à mudança. Esta temática de metamorfismo está também presente no poema B, no qual é feito um apelo ao poeta para que mude o seu futuro, sendo que só pode fazê-lo sozinho.
        Quanto à estrutura externa, ambas as composições poéticas são sonetos, constituídas por duas quadras e dois tercetos e compostas por versos decassilábicos. No soneto A, deparamo-nos com uma rima interpolada ao longo de todo o poema e emparelhada na terceira e na quarta estrofe. No soneto B, assistimos a uma rima cruzada nos tercetos e emparelhada e interpolada nas quadras.
        Em relação à estrutura interna, em ambos os textos distinguimos duas partes. No texto A, na primeira parte, proscrita entre os versos 1 a 4, que corresponde à introdução, há uma descrição da situação em que se encontra o interlocutor. Na segunda parte, os restantes versos, há um apelo ao «soldado do Futuro» para que este lute por uma sociedade melhor. No texto B, na primeira e na segunda estrofe, há uma descrição da situação em que se encontra o sujeito poético. Já na terceira e quarta estrofes, há um apelo à ação.
       Em ambos os sonetos, o destinatário é o poeta, ocorrendo o uso do vocativo «Tu». É ainda frequente a aplicação de formas verbais no imperativo, mantendo sempre um tom apelativo. Surge a noção do vate enquanto ser solitário, que não pode contar com mais ninguém, sendo ele mesmo a liderar a mudança social, política e literária. Há um anúncio do poeta como voz da revolução.
        Quanto aos recursos estilísticos, estamos perante o uso corrente de comparações, metáforas, personificações e apóstrofes.
        Deste modo, sistematizámos as linhas fundamentais de leitura desta temática na poesia de Antero de Quental, que corresponde ao sentir mais fundo do seu tempo e, quem sabe, do nosso zeitgeist.



A um poeta (poema A)

                                                 Surge et ambula!*



Tu, que dormes, espírito sereno,
Posto à sombra dos cedros seculares,
Como um levita à sombra dos altares
,
Longe da luta e do fragor terreno,


Acorda! é tempo! O sol, já alto e pleno,
Afugentou as larvas tumulares...

Para surgir do seio desses mares,
Um mundo novo espera só um aceno...


Escuta! é a grande voz das multidões!
São teus irmãos, que se erguem! São canções...
Mas de guerra... e são vozes de rebate!


Ergue-te, pois, soldado do Futuro,
E dos raios de luz do sonho puro,
Sonhador, faze espada de combate.


*expressão latina que significa "Acorda e anda".


 

A Ideia (poema B)

IV


Conquista, pois, sozinho o teu Futuro,
Já que os celestes guias te hão deixado,
Sobre uma terra ignota abandonado,

Homem ‑ proscrito rei ‑ mendigo escuro!


Se não tens que esperar do céu (tão puro
Mas tão cruel!) e o coração magoado
Sentes já de ilusões desenganado,
Das ilusões do antigo amor perjuro;


Ergue-te, então, na majestade estoica
De uma vontade solitária e altiva,
Num esforço supremo de alma heroica


Faze um templo dos muros da cadeia.
Prendendo a imensidade eterna e viva
No círculo de luz da tua Ideia!

                                              Antero de Quental, Sonetos



Autores: Sofia P. Faustino, Catarina Silva, Sara Nunes, Domingos Lopes Gallego.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

A LIÇÃO DOS CLÁSSICOS EM CAMILO.12 a 14 de Abril de 2018

O Grupo de Investigação Memória e Diálogos Literários do Centro de Estudos Filosóficos e Humanísticos (CEFH) da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da UCP, em Braga, está a organizar, para 12, 13 e 14 de Abril de 2018,  o Congresso Internacional A LIÇÃO DOS CLÁSSICOS EM CAMILO CASTELO BRANCO. A data limite para envio de propostas de comunicação foi  ampliada até 11 de Fevereiro de 2018.

Para mais detalhes, vide o anexo​ e a página do evento: http://braga.ucp.pt/alicaodosclassicosemcamilo/




segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Definições de "Livros de Linhagens"

Livros de Linhagens:

Maria Garcia - Os Livros de Linhagens são conjuntos de linhas que reúnem todas as ligações genealógicas que permitem a união de famílias e o esclarecimento de questões causadas pela ignorância de quem falseia a sua vida.
 
Rita Fernandez - Livros de Linhagens: proveniente do latim "liber Lineae" deu entrada no século III. Procurava interiozar em papel linhas do tempo/cronológicas que integram as linhas geracionais de descendentes familiares.
 
Rafaela Garcia - Os Livros de Linhagens são livros que nos dão a conhecer as relações genealógicas de membros de famílias nobres. Estes eram bastantes comuns no passado, pois davam a conhecer aos homens a sua linhagem, permitindo-lhes saber os seus ascendentes e graus de parentesco, o que evitava casamentos incestuosos e assegurava os direitos hereditários de alguns dos membros da família.
 
Francisco Grilo - Livros de Linhagens ou "nobiliários" são documentos que nos dão informações sobre as origens, pertences, e heranças, de uma família, bem como sobre os laços entre os membros desta.
 
 

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Projeto de Leitura Expressiva de Duas Cantigas de Amigo

Os alunos de Literatura Portuguesa do 10º ano decidiram declamar duas cantigas de amigo do século XII, sendo estas "Venho-vos rogar" e "O que queredes bem". Eis as mesmas, seguidas da dita declamação:


Venho-vos rogar

Mha madre, venho-vos rogar
como roga filh´a senhor
o que morre por mi d’ amor
leixade-m’ ir co[n] el falar;
quanta coita el sigo ten
sei que toda lhi por mi ven.

E sodes desmesurada,
que vos non non queredes doer
do meu amigo, que morrer
vejo e and ´ eu coitada;
quanta coita el sigo ten
sei que toda lhi por mi ven.

Vee-lo-ei, per bõa fé,
e direi-lhi tan gran prazer
per que el dev’a guarecer
poi’-lo seu mal cedo meu é
quanta coita el sigo ten
sei que toda lhi por mi ven.

                oje se parte’ o coraçon!

D. Affonso Meendez de Beesteiros (Século XII)


O que queredes bem

Filha, o que queredes ben
partiu-s ‘ agora d´ aquen
e non vos quiso veer;
e ides vós ben querer
a quen vos nos quer veer?

Filha, que mal baratades[1]
que o, sen meu grad´, amades,
pois que vos non quer veer;
e ides vós ben querer
a quen vos nos quer veer?

Por esto lhi quer’ eu mal,
mha filha, e non por al,
porque vos non quis veer;
e ides vós ben querer
a quen vos nos quer veer?

Andades por el chorando,
e foi ora a San Servando[2]
e non vos quiso veer;
e ides vós ben querer
a quen vos nos quer veer?

Joan Servando (Século XII)



[1]  Procedeis;
[2]  Basílica em Toledo.~





Autores: Diogo Vicente; Francisco Grilo; Guilherme Magalhães; Maria Garcia

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Aproximações entre duas cantigas de amigo


Analisando os dois poemas apresentados (“Pois nossas madres vam a San Simon”, de Pero de Viviãez (Séc. XII) e “Fui eu, fremosa, fazer oraçon” de Afonso Lopes de Baião (Séc. XII) ), é possível notar que têm muito em comum. Como se poderão interligar? Primeiramente, vemos o significado do primeiro texto por si só ­­– esta cantiga de romaria trata de um grupo de moças que vão a uma celebração religiosa, não pelo sagrado, mas para bailar, sem véu, perante os namorados. É este o contraste de um tema profano combinado com o sagrado. 


Formalmente, cada cobla possui quatro versos e é seguida por um refrão dístico. Cada verso é decassilábico.

Vejamos agora o segundo poema – este fala-nos, desta vez, de uma só moça. Esta, de novo, encontra-se numa celebração religiosa, não estando lá para orar por si mesma, mas sim pelo seu amado, que não se encontrou com ela como haviam combinado. 

Formalmente, esta cantiga mostra-se exatamente igual à primeira (coblas de quatro versos decassilábicos, seguidas por um refrão dístico).

Assim, facilmente imaginamos que uma cantiga se passe, temporalmente, imediatamente após a outra – pensando no grupo de meninas que no festival se encontraram com os amados, uma delas ficando de parte, por falta de presença do amigo, rezando para que tudo esteja bem com este. 

Estas histórias, individual ou conjuntamente, mostram-nos fielmente o registo de alguns hábitos do povo no seu dia-a-dia durante a época medieval. 



Autores: Francisco Grilo e Guilherme Magalhães.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Alguns aspetos sobre a cantiga de peregrinação

Na cantiga de amigo “Pois nossas mães van a San Servando” de Pero de Viviãez (Séc. XII), o grupo de donzelas procurava o lado mais profano de festa, arranjando encontros com os seus amados. Esta cantiga de romaria mistura o sagrado, devido ao facto de estarem a participar num ato religioso, e o profano, pois não estão tão dedicadas como suas mães. 

No entanto, em “Fui eu fremosa fazer oraçon”, de Afonso Lopes de Baião (Séc. XII), o sujeito lírico foi fazer uma oração pelo seu amado que porventura não apareceu no encontro que supostamente iriam ter.

Enquanto na primeira cantiga os amados comparecem e dançam com as donzelas, alegremente, em “Fui eu, fremosa, fazer oraçon” a donzela está a sofrer, pois o seu amado não apareceu no encontro, fazendo com que esta o considere um “traidor”.

Concluindo, apesar de ambas as cantigas serem de peregrinação, o seu desfecho é diferente e os sentimentos são opostos, isto é, enquanto o grupo de donzelas estavam divertidas com os amados, a outra reza e chora pelo seu amigo que a “traiu”.

Estas cantigas apresentam uma realidade da época que ainda se prolonga até aos dias de hoje, utilizando as romarias não como uma celebração religiosa, mas sim como uma festa mais social.


Autores: Maria Garcia e Diogo Vicente                               

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Morrer de amor

        Morrer de amor é viver dele: este provérbio sintetiza a ideia da morte por amor, ou seja, uma morte que não é física, mas sim um abandono a um sentimento que pulula de vida. Como dizia Fernando Pessoa, “Amar é entregar-se”.
       
        Desde os primórdios da Literatura Portuguesa, o amor é uma temática constante. Não só na poesia, como nos mais variados géneros literários. Esta morte por amor principia na Poesia Trovadoresca, permanecendo até à atualidade. Tomem-se como exemplos as inúmeras composições literárias que abordam esta temática. Entre elas, contamos com poemas como «Ai madre, moiro d’amor», de D. Dinis (viragem do séc. XIII para o XIV), ou «Não posso adiar o amor», de António Ramos Rosa (séc. XX); o conto “José Matias”, de Eça de Queiroz (séc. XIX); a peça de teatro “Um auto de Gil Vicente”, de Almeida Garrett (séc. XIX); e o romance “Amor de Perdição”, de Camilo Castelo Branco (séc. XIX).

        No caso de “Um auto de Gil Vicente”, assistimos ao amor entre Bernardim Ribeiro e D. Beatriz. Bernardim “morre de amores” pela Infanta, que nutre o mesmo sentimento por ele. Porém, este amor enfrenta as adversidades do casamento com o Duque de Saboia, imposto pela corte.

        Concluindo, estas histórias são intemporais, já que o amor, embora possa vencer tudo (omnia vincit amor), nem sempre termina com um final feliz. Isso ensina-nos duas grandes histórias da literatura universal, tais como Tristão e Isolda e Romeu e Julieta.


Autores: Catarina Silva, Sara Nunes, Sofia P. Faustino e Domingos Lopes Gallego.

sábado, 30 de setembro de 2017

Sereno campo

Que sereno campo! Quieto cipreste!
O gado que caminha com o pastor
esquece assim o tempo agreste
desse inverno devastador.

Ao som da fome ecoam chocalhos.
Por vales e cabeços, entranha-se a melodia.
Pousam corujas nos galhos,
recolhem-se; acaba o dia...


Autores: Domingos Lopes Gallego e Sofia Faustino


sábado, 1 de julho de 2017

Fernão Mendes Pinto


“Como estando nós surtos na ponta de Tilaumera, vieram por acaso ter connosco quatro lanteas de remos em que vinha uma noiva” 



Neste capítulo, é possível identificar vários traços linguísticos e específicos, tanto de Fernão Mendes Pinto como deste tipo textual descritivo. 

Esta obra contesta a atuação dos portugueses que, durante muito tempo, foi considerada uma obra "mentirosa", pouco digna de atenção e pouco credível. Pela forma como contesta e mostra o revés da expansão marítima portuguesa, os estudiosos costumam acompanhar o seu estudo com o episódio do Velho do Restelo, d'Os Lusíadas de Camões, sendo que a visão do povo português presente na Peregrinação contrasta com a presente n’Os Lusíadas. Como exemplo das anti-façanhas do herói colectivo, os navegantes portugueses, leia-se, por exemplo, o episódio da noiva, no capítulo 47.

No fundo, trata-se de um conjunto de memórias autobiográficas. Na obra “Peregrinação” o autor narra a sua vida de aventuras e desventuras e as suas viagens pelo Oriente, ao longo de 21 anos, em relatos de enorme riqueza, com descrições muito pormenorizadas dos povos, das línguas e das terras por onde passou. Estas descrições revelam uma enorme admiração e fascínio pela grandiosidade dessas civilizações, chegando mesmo a pôr na boca de personagens orientais críticas à cobiça e ambição dos mercadores e militares ocidentais. Por outro lado, no Ocidente, à época, ninguém acreditava que o Oriente fosse assim tão rico no que toca a tradições culturais. Por estes factos, o autor é acusado de exagero, tendo ficado célebre o dito popular «Fernão, Mentes? Minto!». Mas hoje é consensual o valor histórico e literário da sua obra, feita de elementos verídicos e de ficção. 

Torna-se, porém, bastante difícil distinguir nesta obra o que é produto da imaginação de aquilo que é pura história. Mendes Pinto consegue dar às narrações uma roupagem tão concreta e tão cheia de vida que tudo nos parece natural e autêntico. Durante muito tempo, pensou-se que a maioria das peripécias narradas no livro não passariam de mentira. No entanto, com a descoberta do mundo oriental, sobretudo nos nossos dias, chegou-se a uma opinião contrária. Hoje, podemos verificar a exatidão de muitas das afirmações feitas pelo escritor acerca da China e do Japão, nas quais ninguém acreditava.



Autoras: Sofia P. Faustino, Sara Nunes e Catarina Silva

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Antologia de poemas de amor da Literatura Portuguesa

Esta antologia foi feita por nós, alunos de Literatura Portuguesa do 10º ano.

Ao abordar o amor, estes poetas integram-se numa tradição da Literatura Portuguesa.

Esta antologia, de textos marcados pela afetividade, deriva de uma pesquisa sobre a presença deste tema na obra dos autores nacionais. Nela incluem-se textos exclusivamente do género lírico, mas de épocas e autores distintos.

A organização desta coletânea segue um critério cronológico, começando com algumas cantigas de amigo e de amor medievais, que nos transportam do Século XIII ao Século XXI.  



                     



Realizado por: Sofia P. Faustino, Catarina Silva, Sara Nunes e Domingos Lopes Gallego;
Coordenação: António José Borges


domingo, 2 de abril de 2017

Dia internacional do livro infantil 2017

No dia 2 de abril comemora-se em todo o mundo o nascimento de Hans Christian Andersen. A partir de 1967, este dia passou a ser designado por Dia Internacional do Livro Infantil, chamando-se a atenção para a importância da leitura e para o papel fundamental dos livros para a infância.

Para assinalar o Dia Internacional do Livro Infantil 2017, a DGLAB convidou o ilustrador João Fazenda, vencedor do Prémio Nacional de Ilustração do ano passado, para ser o autor da imagem do cartaz.

A mensagem do IBBY internacional, este ano da responsabilidade da Rússia, consta de um texto do escritor Sergey Makhotin e um cartaz do ilustrador Mikhail Fedorov. Pode ser encontrada em: http://www.ibby.org/awards-activities/activities/international-childrens-book-day/icbd-2017/?L=0
Vamos crescer com o livro, mensagem de Sergey Makhotin em português (em pdf).

Fonte: Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas