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terça-feira, 15 de maio de 2018

O Doido e a Morte

O tema da peça O Doido e a Morte, de Raul Brandão, inicialmente pareceu-nos fácil de ser descrito: um doido entra no gabinete do governador com uma bomba. O modo como as personagens lidam com esta situação revela uma sátira cheia de espírito e dotada de um estilo bem-humorado de ver a vida através da morte.

O Governador Civil, Baltazar Moscoso, dramaturgo frustrado, tenta escrever mais uma das suas peças medíocres. Nunes avisa-o que o Senhor Milhões o vem visitar com uma carta de recomendação do ministro. Ao ser recebido, o Senhor Milhões liga a campainha eléctrica da secretária a uma caixa que transporta consigo, comunicando que acaba de ativar uma bomba, que rebentará daí a vinte minutos. Perante o desespero do Governador Civil que se vê abandonado por todos, inclusive pela sua mulher, D. Ana, o Senhor Milhões faz a crítica demolidora das convenções sociais e a defesa de um sentido último para a "Vida"; o próprio Governador Civil admite a sua própria vida ter sido uma mentira. Na iminência da explosão, chegam dois enfermeiros que vêm buscar o Senhor Milhões, o doido. Afinal, a bomba era apenas algodão em rama e não o temido peróxido de azoto, o que leva o Governador Civil a soltar um palavrão entre a raiva e o alívio.

Há apenas quatro personagens: o Senhor Milhões, o Governador Civil, Baltazar Moscoso, a mulher deste, Ana de Baltazar Moscoso, Nunes, uma espécie de polícia-secretário-criado que introduz as personagens e dois figurantes, os enfermeiros que entram na última cena.

Quanto às complexas personagens, não há nenhuma relação social entre as do Governador e o doido, Sr. Milhões, mas eles são figuras conectadas, chegam a declarar-se semelhantes, facto que é importante para entender a conexão entre eles. Essa ligação está na similaridade entre seres opostos. A ligação existe, pois essas personagens sugerem apenas intensidades diferentes de uma mesma coisa: são personalidades que fogem da representação e do comum: um quer ser um génio e o outro quer ser um doido. O papel de ambos parece constantemente inverter-se, isto é, o doido racionaliza a sua descoberta filosófica e o génio desespera e endoidece de medo.

O espaço da peça resume-se ao gabinete do Governador, as personagens estão presas lá dentro, circunscritas a essa realidade. Porém, este gabinete guarda toda a sua vida; é nele que Baltazar Moscoso passa o seu dia a ler e a escrever as suas peças de teatro.

A bomba, guardada numa caixa, mantém-se intacta, mas acentua uma tensão entre as personagens. A relação entre eles, forçada pela presença da bomba, gera basicamente dois movimentos. Primeiramente, um movimento centrípeto, no qual a sua vida e o conforto do seu gabinete parecem desmoronar e ruir. Assim se descobre a futilidade e os desperdícios vividos – um peso que esmaga as personagens. O outro movimento, centrífugo, surge de dentro deles e impele para a fuga. Qualquer saída é válida. O Governador, por fim, trai todos os seus princípios morais para sair dali, chega até a entregar-se ao seu único confessor possível, o Doido, como sendo um grande mentiroso, enquanto o intolerante Sr. Milhões só vê um objectivo: explodir-se e desintegrar-se para que a sua poeira seja dissipada pelo cosmos.

Concluindo, esta peça é, sem sombra de dúvida, uma obra-prima do nosso teatro e do teatro de qualquer literatura pela agudeza da problemática existencial, pela conceção e pelo clima tenso do lirismo.


Escrito por: Sofia P. Faustino e Catarina Silva



segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Biografia de D. Pedro I e reflexões sobre a justiça na "Crónica de D.Pedro I" de Fernão Lopes


Oitavo rei de Portugal, quarto filho de D. Afonso IV e de Beatriz de Castela.

Casou primeiro com Branca de Castela, a quem repudiou por debilidade física e mental. Casou depois com Constança Manuel, filha de um fidalgo castelhano que, quando veio para Portugal, trouxe consigo Inês de Castro.

A ligação amorosa entre o infante D. Pedro e Inês de Castro foi imediata, o que provocou forte conflito entre D. Afonso IV e seu filho e causou a morte prematura de Constança Manuel. Temendo o monarca a nefasta influência dos Castros em seu filho, resolveu condenar à morte Inês de Castro, o que provocou a rebelião de D. Pedro contra si. Contudo, a paz entre o pai e o filho foi estabelecida em breve e D. Pedro foi associado aos negócios do Estado, ficando-lhe desde logo incumbida uma função que sempre haveria de andar ligada à sua memória – a de exercer justiça.

Durante o seu reinado evitou guerras, logrando aumentar o tesouro. Cunhou ouro e prata e exerceu uma justiça exemplar, sem discriminações, julgando de igual modo nobres e plebeus.

Os documentos coevos e o testemunho de Fernão Lopes definem-nos D.Pedro como justiceiro, generoso, folgazão, amado pelo povo e de grande popularidade. Sobre a sua morte o povo dizia que «ou não havia de ter nascido, ou nunca havia de morrer».

No prólogo da "Crónica de Pedro I", Fernão Lopes alonga-se nas reflexões sobre a justiça, como forma de preparar a narração subsequente do reinado de D.Pedro, marcado pela forma como, muitas vezes, o rei exerceu rígida e compulsivamente essa virtude que "husou muito", (ll. 51-52).
Tratando-se de um prólogo, o texto antecipa as considerações sobre a prática da justiça suscitada pelo relato da atuação do monarca.





segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Inaugurada a impressionante biblioteca de Tianjin

Esta é a prova de que as bibliotecas não têm de ser sítios aborrecidos.


 Foi inaugurada uma das mais futuristas bibliotecas do mundo, em Tiajin, na China.
 
 A Tianjin Binhai Public Library foi projetada pela empresa de arquitetos MVRDV e tem capacidade para 1,2 milhões de livros. Para já, as estantes ainda estão despidas.
 
 O espaço tem no meio uma esfera gigante que representa o olho humano.
 
 
 
 

 

sábado, 30 de setembro de 2017

Sereno campo

Que sereno campo! Quieto cipreste!
O gado que caminha com o pastor
esquece assim o tempo agreste
desse inverno devastador.

Ao som da fome ecoam chocalhos.
Por vales e cabeços, entranha-se a melodia.
Pousam corujas nos galhos,
recolhem-se; acaba o dia...


Autores: Domingos Lopes Gallego e Sofia Faustino


quinta-feira, 27 de abril de 2017

A Biblioteca de Alexandria

Antes do século III a.C., as bibliotecas guardavam e preservavam documentos sobre o património e tradições locais. Mas em 295 a.C., o rei do Egito Ptomoleu I Sóter encarregou o seu conselheiro Demétrio de Falero de estabelecer uma biblioteca que guardasse uma cópia de todos os documentos existentes no mundo. 
Foi erigida na capital do império, Alexandria, no terreno do Museu, um local de estudo para alguns dos maiores pensadores da época. Crê-se que, no seu auge, guardava cerca de meio milhão de papiros, levando ao estabelecimento de uma segunda biblioteca no templo de Serápis, a sul de de Alexandria. 

Os únicos indícios que temos destas bibliotecas provêm de textos antigos e o seu fim é alvo de profundo debate. Uns defendem que foram acidentalmente destruídas por Júlio César em 48 a.C. quando este mandou incendiar os navios no porto da cidade e o fogo se espalhou. Outros creem que o imperador Teodósio I as destruiu numa tentativa de eliminar o paganismo, em 391.
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                                              Nova Biblioteca de Alexandria